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Inteligência e militares têm muitas questões para responder

Mark Schneider, Folha de São Paulo  |   14 May 2011

O ataque dos Seal contra Osama bin Laden em Abbottabad, a poucos quarteirões do equivalente paquistanês à Academia Militar das Agulhas Negras, levanta questões sobre se os militares e a inteligência paquistaneses são partes da solução ou partes do problema do terrorismo internacional.
Não só a comunidade internacional precisa saber o que o alto comando militar paquistanês e o ISI, o serviço de inteligência do país, sabiam e quando o souberam, mas por quanto tempo Bin Laden esteve lá, quem sabia e o protegia, possuía a terra, projetou o complexo e instalou o sistema de segurança.
Para responder a estas e outras questões, o governo do Paquistão tem de convocar um inquérito público, como as audiências do caso Watergate ou a Comissão do 11 de Setembro.
A ação paquistanesa contra grupos terroristas é vital para a segurança global, mas também é evidente que o Exército tem operado por meio de um prisma anti-Índia, em vez de um compromisso contra o terrorismo.
Compare isso com o governo civil do Paquistão. Depois dos ataques de 2008 em Mumbai, investigou, denunciou e efetuou várias prisões; se tivesse prevalecido a vontade dos militares, nada disso teria acontecido.
A comunidade internacional deve incentivar os avanços alcançados pelo governo paquistanês. Apoio militar deve ser condicionado a medidas demonstráveis de combate aos extremistas.
Como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas e um país que fez a transição de governo militar para governo democrático civil nos últimos 25 anos, o Brasil deve compreender bem a importância do apoio às instituições democráticas e civis do Paquistão e à responsabilização de suas forças militares por apoio a grupos terroristas. 

Mark Schneider é vice-presidente sênior e conselheiro especial para a América Latina do International Crisis Group.

Folha de São Paulo

 
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