You must enable JavaScript to view this site.
This site uses cookies. By continuing to browse the site you are agreeing to our use of cookies. Review our legal notice and privacy policy for more details.
Close
Homepage > Regions / Countries > Latin America & Caribbean > Andes > Colombia > País precisa de apoio de toda a comunidade internacional

País precisa de apoio de toda a comunidade internacional

Silke Pfeiffer, Folha de S.Paulo  |   30 Aug 2012

O anúncio feito pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, de que foram iniciadas conversações exploratórias com as Farc com vistas a encerrar o conflito armado, implica um grande desafio para o país. A Colômbia precisa do apoio de toda a comunidade internacional.

Não será uma tarefa fácil. Após meio século de violência e vários processos de paz fracassados, este anúncio gera não apenas esperança, mas também ceticismo.

As Farc perderam legitimidade e credibilidade, e não falta oposição política a um processo que poderia trazer benefícios políticos para a guerrilha. Tampouco faltam aqueles que se dispõem a recorrer à violência para sabotar o processo.

Não obstante, um acordo político não apenas é a melhor solução, como a única maneira viável de encerrar o conflito. Apesar do enfraquecimento das Farc, uma vitória militar do governo seria muito improvável.

Faz tempo que a Colômbia vive uma guerra sem vencedores, apenas com vítimas.

Diferentemente de negociações passadas, hoje o governo opera a partir de uma posição de força que lhe proporciona controle considerável sobre a agenda.

Enfrenta um outro lado suficientemente unido para negociar, situação que não existiria se a fragmentação das Farc, provocada pela ofensiva militar, prosseguisse.

A guerrilha, por sua vez, conserva força militar suficiente para arrancar do processo acordos que ultrapassem sua desmobilização e respondam a suas reivindicações históricas.

Para que o diálogo resulte numa paz duradoura, não bastará apenas um acordo entre os negociadores.

É importante que as reivindicações das comunidades, na raiz do conflito, sejam parte do processo. O governo precisa cumprir sua promessa de estabelecer o Estado de direito e de garantir os direitos básicos nas zonas mais remotas do país, além de compensar as vítimas.

Um acordo não eliminará a violência. Mas deixará o país e seus vizinhos em posição melhor para fazer frente a esse problema. O apoio da comunidade internacional é crucial para essa aposta. A oportunidade é importante demais para ser perdida.

Silke Pfeiffer é diretora para a Colômbia/Andes do International Crisis Group.

FOLHA DE S.PAULO

 
This page in:
English