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As FARC foram feridas mas ainda nao estao derrotadas

, Público  |   5 Jul 2008

O anúncio do resgate de Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi uma boa nova para eles e para as respectivas famílias, que passaram por essa provação terrível, muitos durante anos. O frenesim dos media com a história é simultaneamente previsível e merecido. Mas sugerir que estas e outras notícias recentes provam o fim das FARC, como alguns têm tentado afirmar, é exagerar.

As FARC sofreram de facto vários golpes nos últimos tempos. As forças governamentais mataram importantes chefes dos rebeldes em 2007, e dois membros do comando central em Março de 2008, incluindo o segundo na cadeia de comando, Raúl Reyes, e têm impedido a comunicação entre os rebeldes, o que levou à perda de coesão interna e a uma quebra dos lucros com actividades ilegais. A morte do líder, Marulanda, de ataque cardíaco, em Março, foi um bónus para as autoridades colombianas, bem como o pedido do Presidente venezuelano, Hugo Chávez, para que as FARC acabassem com a luta armada. No geral, parece que a longa guerra contra as FARC está a encaminhar-se a favor do Governo colombiano, o que tem valido ao Presidente Álvaro Uribe um reforço da sua imagem internacional — e a sua taxa de popularidade é de 80 por cento.

Ainda assim, é demasiado cedo para escrever um obituário das FARC. Protagonizam a rebelião latino-americana que dura há mais tempo e ainda conseguem angariar fundos, com a captura de reféns e o tráfico de droga. Não estão prestes a desaparecer dos vastos territórios onde ainda actuam na Colômbia. Os ganhos militares dos meses mais recentes compensam apenas se combinados com a estratégia política. É preciso que avance o desenvolvimento rural integrado, para consolidar a segurança. As FARC podem estar a ver-se a braços com muitas deserções, mas a sua mensagem de apelo à revolta dos agricultores continua a atrair para a selva jovens homens e mulheres das zonas rurais. O Estado deve assegurar que a vida nas aldeias lhes oferece algo melhor. Tem de expandir bastante os investimentos em infraestruturas e criar alternativas ao cultivo de coca, garantindo que a lei e a ordem imperarão nos territórios recuperados às FARC.

Outro aspecto-chave da estratégia política devia estar a ser a troca de insurgents detidos por reféns que as FARC tenham em cativeiro — embora os acontecimentos desta semana tenham arruinado as hipóteses de que isso aconteça brevemente.

O resgate dos reféns pode ter outros efeitos perversos.  Além dos riscos de humilhar internacionalmente uma força rebelde armada que ainda mantém vários reféns presos — e que pode vir a provar que as celebrações são prematuras —, este episódio fará com que as FARC confiem menos na boa vontade do Governo, com vista a possíveis negociações de paz e eventuais acordos pós- -desmobilização. Tendo sido enganados tão facilmente, os dirigentes das FARC mostrar-se- -ão menos dispostos a encetar qualquer acordo com o Governo — o que terá de acontecer mais tarde ou mais cedo, se se quiser que esta guerra acabe de vez.

Director de Media e Informação do International Crisis Group, acaba de regressar da Colômbia.

 
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