Risco de novas fraudes nas eleições afegãs
Risco de novas fraudes nas eleições afegãs
The U.S. and the Taliban after the Killing of al-Qaeda Leader Ayman al-Zawahiri
The U.S. and the Taliban after the Killing of al-Qaeda Leader Ayman al-Zawahiri
Op-Ed / Asia

Risco de novas fraudes nas eleições afegãs

Até o final do mês, cerca de 2.500 homens e mulheres afegãos gastarão milhões de dólares e centenas de horas de viagem percorrendo algumas das estradas mais perigosas do mundo fazendo campanha para disputar as 249 cadeiras da Câmara Baixa. Ao longo do caminho para as eleições de 18 de setembro, muitos dos candidatos - a maioria mulheres - provavelmente abandonarão a disputa, pois estão suscetíveis a ser violentamente atacados e mortos.

Quase todos os candidatos se perguntarão se o risco valeu a pena. Se forem usados como referência a fraude em massa e a onda de violência sem precedentes durante as eleições presidenciais e provinciais do ano passado, a resposta é não. Outro fracasso da comunidade internacional para enfrentar as deficiências do sistema eleitoral significará um golpe mortal nas frágeis instituições do Afeganistão e reduzirá substancialmente a possibilidade de se obter qualquer tipo de progresso.

A menos de um mês das eleições e com a segurança no país ao nível mais baixo de todos os tempos, é hora de admitir que a política de oportunismo que permitiu que o presidente Hamid Karzai pudesse fraudar sua reeleição no ano passado já não é viável. Na ausência de uma reforma eleitoral considerável e uma maior transparência do processo eleitoral, o adiamento das eleições parlamentares é a melhor estratégia.

A segurança deteriorou-se significativamente desde que os eleitores afegãos enfrentaram ameaças de violência para votar em agosto de 2009. O governo está paralisado no meio de uma disputa acirrada entre o presidente e o Parlamento. Apesar da fraude em favor de Karzai, que levou a Comissão de Reclamações Eleitorais (ECC) a invalidar mais de 1 milhão de votos, algumas reformas foram adotadas. O registro de eleitores ainda é altamente falho. Além disso, muitos dos funcionários cúmplices das fraudes permanecem nos cargos. Se não bastasse tudo isso, os processos de investigação para manter conhecidos criminosos fora da disputa fracassaram sob pressão dos poderosos no Afeganistão. Após um jogo político prolongado, apenas 31 candidatos foram excluídos por seus vínculos com grupos armados, deixando muitos senhores da guerra na disputa eleitoral.

Sem uma intervenção internacional decisiva, esse tipo de interferência das altas esferas do palácio presidencial provavelmente se repetirá. E isso significa que a violência continuará se alastrando pelo país e apenas os candidatos preparados para intimidar ou subornar terão chances de ser eleitos.

Se a ECC não consegue articular seu plano para enfrentar a fraude, é bem provável que a votação de setembro resulte em um desastre. Por um lado, a recente decisão da Comissão Eleitoral Independente (IEC) de fechar 900 centros de votação é um sinal animador de que as autoridades afegãs e da coalizão estão tomando a segurança no sistema eleitoral muito mais a sério desta vez. Mas, ao mesmo tempo, é um indício desalentador da privação em massa do direito ao voto caso a segurança se deteriore mais e outras seções eleitorais sejam forçadas a fechar no último minuto.

Pesquisas indicam que a maioria da população está de acordo com esse processo. Ter alguma escolha na forma como são governados e quem os governa é melhor do que não ter opção. Eles também reconhecem que os membros do Parlamento são mais vitais para a preservação de seus interesses que o presidente ou os politicamente inócuos conselhos provinciais. Se a comunidade internacional não está preparada para garantir que as eleições não sejam manipuladas, a votação deve ser adiada até que as reformas necessárias possam ser estabelecidas. Caso contrário, os riscos de todo o processo permitirão mais uma vitória fácil para os insurgentes no Afeganistão.
 

Podcast / Asia

The U.S. and the Taliban after the Killing of al-Qaeda Leader Ayman al-Zawahiri

This week on Hold Your Fire! Richard Atwood speaks with Crisis Group’s Asia Director Laurel Miller about U.S. policy in Afghanistan, the Taliban’s foreign relations and what the killing of al-Qaeda leader Ayman al-Zawahiri in the Afghan capital Kabul says about the threat from transnational militants in Afghanistan a year into Taliban rule.

On 31 July, a U.S. drone strike killed al-Qaeda leader Ayman al-Zawahiri in the Afghan capital Kabul. Zawahiri appears to have been living in a house maintained by the family of powerful Taliban Interior Minister Sirajuddin Haqqani. His death came almost a year after U.S. troops pulled out of Afghanistan and the Taliban routed the former Afghan security forces and seized power. The Taliban’s uncompromising rule over the past year has seen girls denied their right to education, many other rights and freedoms curtailed and power tightly guarded within the Taliban movement. The Afghan economy has collapsed, owing in large part to the U.S. and other countries’ freezing Afghan Central Bank assets, keeping sanctions against the Taliban in place and denying the country non-humanitarian aid. Levels of violence across the country are mostly down, but Afghans’ plight is desperate, with a grave humanitarian crisis set to worsen over the winter. The Taliban’s apparent harbouring of Zawahiri seems unlikely to smooth relations between the new authorities in Kabul and the outside world. 

This week on Hold your Fire! Richard Atwood speaks with Crisis Group’s Asia Program Director Laurel Miller about U.S. policy in Afghanistan and the Taliban’s broader foreign relations after Zawahiri’s killing. They discuss what his presence and death in Kabul mean for U.S. policy and what they say about the threat posed by transnational militants sheltering in Afghanistan. They look into how countries in the region are seeking to protect their interests in Afghanistan, including by engaging with the de facto Taliban authorities, and how those countries – particularly Pakistan, which has faced an uptick of violence in the past year – view the danger from foreign militants in Afghanistan. They also look in depth at Washington’s goals in Afghanistan a year after the withdrawal and what balance it should strike between engaging the Taliban or seeking to isolate them. Just over a year after the U.S. withdrawal and Taliban takeover, they reflect back on Washington’s decision to pull out troops. 

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For more on the situation in Afghanistan, check out Crisis Group’s recent report Afghanistan’s Security Challenges under the Taliban.

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