O tempo para solucionar a disputa de Chipre está a acabar
O tempo para solucionar a disputa de Chipre está a acabar
Fresh Thinking Needed on Cyprus
Fresh Thinking Needed on Cyprus
Op-Ed / Europe & Central Asia

O tempo para solucionar a disputa de Chipre está a acabar

Não é um paradoxo que o Presidente cipriota grego, Demetris Christofi as, num arrojo de retórica perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Setembro, tenha pedido para a Turquia um lugar no Conselho de Segurança da ONU? A aparente contradição está, obviamente, no facto de as tropas turcas ocuparem desde há 35 anos um terço da ilha mediterrânica de Christofi as - nada mais nada menos que um membro da União Europeia - apesar de resoluções da ONU a exigirem a sua retirada.

Isto é, realmente, uma anomalia. Mas também é o facto de que, em 2004, foram os cipriotas gregos que se opuseram e o lado turco que apoiou um plano da ONU que teria conduzido à retirada da maioria daquelas tropas.

Os paradoxos de Chipre não terminam aqui. O período entre então e agora oferece a melhor oportunidade em anos de quebrar o impasse de meio século em Chipre. As actuais conversações, com vista a uma solução, entre os líderes cipriotas estão a registar mais progressos do que salta à vista, de um modo geral, mas o tempo que resta para resolver estes paradoxos é curto. Em Abril de 2010, o líder cipriota turco, Mehmet Ali Talat, enfrenta uma eleição. Se não tiver sucesso na solução que prometeu para Chipre, todos os sinais apontam para que seja derrotado por um candidato de linha mais dura. Se isso acontecer, terão fracassado três décadas de esforços para reunifi car a ilha na base de uma federação bicomunal e bizonal. Para muitos, na realidade, o velho statu quo terminou em 2004, quando Chipre e a UE perderam a grande oportunidade e Chipre foi admitido na União como uma ilha dividida.

Se, até Abril próximo, as conversações não resultarem num compromisso para resolver os problemas da ilha, esta nova fase da disputa de Chipre será uma abrupta mudança de direcção no sentido de uma divisão hostil. Se os dois líderes actuais, com posições próximas, não puderem chegar a uma solução neste clima regional quase ideal, nem as Nações Unidas estarão dispostas a investir tempo, pessoal e dinheiro numa quinta ronda de negociações na mesma base.

O cinismo e a complacência signifi cam que ninguém está a levar a sério as negociações, nem sequer na ilha. Os líderes cipriotas turco e grego querem uma solução realista, mas porque Ancara e os cipriotas gregos não comunicam directamente há 40 anos nenhum deles acredita que a outra parte é sincera e nenhum quer assumir um compromisso pleno.

O fracasso em resolver (a questão de) Chipre também ensombrará os laços entre a UE e a NATO: Chipre é membro da primeira e a Turquia da segunda; no entanto, a maioria dos países da UE não tem demonstrado qualquer apoio à resolução da disputa. Os cipriotas gregos estão até a conter alguns líderes de Estados-membros da UE que vêem na disputa de Chipre uma nova maneira de pôr fi m ao processo de adesão da Turquia à União. Pior, o mundo está preocupado com a grande questão dos mísseis do Irão e da Rússia mas são Atenas e Ancara que mais estão a armazenar mísseis para o caso de crescentes fricções se transformarem numa indignada frustração. Reparem nisto: navios de investigação sísmica e canhoneiras já estão em competir por direitos de prospecção de petróleo, com a Turquia a reivindicar território clamado pela Grécia e pelos cipriotas gregos no Mediterrâneo.

Todas as partes perdem se as conversações falharem. Os cipriotas gregos vão sofrer de maior insegurança, porque as tropas turcas permanecerão indefi nidamente à porta deles e porque diminuem as hipóteses de indemnização ou restituição de propriedades. Os cipriotas turcos verão a sua comunidade disseminar-se ou ser obrigada a uma integração na Turquia. Ancara perderá o carisma regional e o boom económico de ter um sério processo de adesão à União Europeia. A UE perderá oportunidades comerciais na Turquia, sacrifi cará profundidade estratégica em disputas regionais e verá murchar o soft power que resulta de ter a Turquia ancorada num processo da UE e, consequentemente, a agir como um advogado convincente quando defende os valores europeus em reuniões com líderes do Médio Oriente.

É, por isso, no interesse da UE apoiar o processo, quer pressionando os dois líderes cipriotas, quer tranquilizando a Turquia de que a sua perspectiva de adesão continua aberta, se e quando cumprir todos os critérios objectivos de adesão à União Europeia. Também é do interesse da Turquia estar à altura da sua reputação de potência regional que faz a paz, estendendo a mão aos  cipriotas gregos e convencendo-os de que qualquer solução será aplicada com uma rápida retirada das tropas, e que a normalização daí resultante será benéfi ca e segura para todos.

Depois de mais de três décadas, todas as partes nesta disputa têm bons motivos para acreditar que têm razões absolutas. O verdadeiro paradoxo é que tantas razões só contribuíram para criar mais um grande erro.
 

Fresh Thinking Needed on Cyprus

A new round of talks has begun in Cyprus and the key parties seem eager to reach a settlement. However, the official goal — a bizonal, bicommunal federation — has stymied negotiators for decades. It is possible that the time has come to consider a mutually agreed separation, within the European Union, of the Greek and Turkish parts of the island.

The closest the two sides have come to an agreement on federal reunification was a decade ago under the Annan Plan, named after United Nations Secretary General Kofi Annan. It built on decades of work and won the support of the UN, EU, United States, Turkey, and even Greece. Indeed, any federal deal will have to look pretty much like the one hammered out in those years of intense negotiations.

Yet the reality of public sentiment bit back. 76 percent of Greek Cypriots said no to this plan at referendum. As Annan wrote to the Security Council afterwards, “what was rejected was the [federal] solution itself rather than a mere blueprint.”

Today the two sides — whose infrastructure and administrative systems are almost completely separate — are, if anything, further apart. The numbers of people crossing the border have fallen, while polls show weakening support for a federal outcome. In 2004, the Turkish Cypriot side supported the Annan Plan with 65 percent of the vote. But in 2010, they firmly voted back to power a leader whose whole career has been dedicated to a two-state settlement. 

Miracles may happen — and there are many on the island who remain desperate for a settlement — but my judgment is that any federal deal will have an even tougher time succeeding now.

Fresh thinking is needed.The two sides should broaden the agenda alongside the well-worn process of UN-hosted talks between Greek Cypriot and Turkish Cypriot negotiators.

One idea that should be fully explored is what the terms might be if Greek Cypriots — the majority of the island’s population — were to offer Turkish Cypriots citizens full independence and fully support them to become members of the European Union. 

Such a deal would have to be agreed to by Greek Cypriots, voluntarily and through a referendum. This will be hard. Greek Cypriot public opinion still, in theory, absolutely rejects any partition. But even senior Greek Cypriot officials agree in private — especially around the dinner tables of business leaders seeking a way out of Cyprus’s crushing banking crisis of 2013 — that there is an increasingly urgent need for a new way forward for the economy and for society.

There is also a growing drumbeat of expert opinion urging Greek Cypriots to consider outcomes beyond the traditional federal goal, which has become so discredited that few on Cyprus are paying much attention to the new talks. International Crisis Group has just published Divided Cyprus: Coming to Terms on an Imperfect Reality, while the U .S. Congressional Research Service concluded last year that “a ‘two-state’ solution seems to have become a more prominent part of the Turkish Cypriot/Turkey rhetoric and unless a dramatic breakthrough occurs early in the negotiations… that reality may gain more momentum.”

Polls show that key parts of what Greek Cypriots and Turkish Cypriots really want can look surprisingly similar. The Greek Cypriots have long wanted a solution securely embedded in European values and structures. That is what Turkish Cypriots say they want too: to become part of the European Union, not part of Turkey, even if they do wish that, in extremis, Turkey would protect their small community. The European part is crucial.

This can only happen with voluntary Greek Cypriot agreement, something that will have to be persuasively won by Turkey and the Turkish Cypriots. They will need to offer convincing terms: withdraw all or almost all of Turkey’s 30,000 troops on the island; end the demand to continue the 1960s “guarantorship” so hated by Greek Cypriots; guarantee compensation of Greek Cypriots for the two-thirds of private property in the north that is owned by them; return the ghost resort of Varosha to its original owners; and pull back to hold 29 percent or less of the island. 

After what will necessarily be a multi-year transition, this will also produce the European solution that Greek Cypriots so often say they want. The two sides will share the same basic legal norms and regulations, the same currency, and the same visa regime. Secure and confident in their new sovereign rights, the Turkish Cypriot side will likely waive the un-European demand for “derogations,” or limits on property purchases by Greek Cypriots in the new entity. 

Nobody is completely right on Cyprus: all parties share responsibility for the frozen conflict on the island. At the end of the day, an independent Turkish Cypriot state within the EU is not rewarding one side or another. Europe will doubtless flinch at accepting a small new Turkish, Muslim state in its midst. 

But Europe helped create this situation, since Brussels breaking its own rules contributed to the clumsy 2004 accession of the disunited island to the EU. 

Moreover, at least 100,000 of the 170,000 Turkish Cypriots are already EU citizens through their Republic of Cyprus passports.

Europe will also be among those who gain from resolving a dispute that has for four decades burdened so many local and regional processes, not least the long-hamstrung relationship between the EU and NATO, and the new question of how the countries of the East Mediterranean can most quickly, profitably and safely exploit new offshore natural gas reserves. This is not partition: it is reunifying Cyprus within the EU.

Subscribe to Crisis Group’s Email Updates

Receive the best source of conflict analysis right in your inbox.