A Palestina de Tony Blair
A Palestina de Tony Blair
Keeping Turmoil at Bay in Pakistan’s Polarised Polity
Keeping Turmoil at Bay in Pakistan’s Polarised Polity
Op-Ed / Asia

A Palestina de Tony Blair

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair tem muitos qualidades, entre eles grande charme. Ele necessitará de todas elas para abordar o estonteante leque de tarefas mundiais que assumiu desde que foi ejetado de seu gabinete por seu taciturno sucessor, Gordon Brown. A missão diária inicial de Blair, após deixar de governar o Reino Unido, foi levar paz ao Oriente Médio, ajudando a estabelecer as instituições governamentais de um Estado palestino.

A partir de então, Blair tornou-se assessor de bancos (que atualmente necessitam toda assessoria que puderem obter), viaja pelo mundo para incentivar uma política sensata de enfrentamento do aquecimento mundial e das mudanças climáticas, criou uma fundação para ajudar a transpor o fosso entre diferentes fés e pronunciará uma conferência sobre religião em Yale. Falta apenas resgatar a sorte das seleções nacionais inglesas de futebol e críquete. Talvez ele possa dar conta disso nos fins de semana.

Mas Blair fez recentemente um comentário proveitoso sobre a Palestina e Israel que merece ser levado a sério. Durante os longos anos dessa tragédia sangrenta, tentamos avançar minimamente rumo a um acordo baseando-nos em medidas para construir confiança mútua, no caso do "Roteiro para a Paz" - há muito extinto -, tentando obrigar ambas as partes a dar passos simultâneos em direção a um acordo. Alguns observadores, inclusive obstinados israelenses ativistas pela paz, sugeriram uma abordagem diferente.

Você nunca terá sucesso, dizem eles, se tentar avançar lentamente, e por tentativas, rumo ao fim de jogo. Em vez disso, deveria pular diretamente para o acordo final. E como você não conseguirá que as duas partes concordem, será preciso impô-lo de fora.

Porém, é mais fácil descrever esse desfecho ambicioso do que realizá-lo. Embora a opinião pública israelense de modo geral pareça mais avançada do que a de seus líderes políticos na abordagem à paz, é difícil ver com alguém poderia se impor aos israelenses. Eles precisam ser pressionados e impelidos a uma negociação bem-sucedida.

O que significaria tratar imediatamente da criação do Estado palestino?

Presumivelmente, Blair não está propondo aos palestinos a criação de um Estado antes de que seja alcançado um acordo sobre fronteiras definitivas. Não pode haver um Estado palestino sem enfrentar a questão dos assentamentos na Cisjordânia. Se o leitor não acredita em mim, basta visitar a Cisjordânia e ver, por exemplo, como o desenvolvimento suburbano proposto pelos israelenses para Jerusalém Oriental atravessa o coração do território palestino rumo ao Mar Morto. Como é possível ter um Estado viável incrustado por barreiras, vias militares e arame farpado?

Um Estado palestino deveria estar contido nas fronteiras de 1967 (ajustadas mediante negociações). Ativistas pela paz nos dois campos solucionaram essa questão na iniciativa de Genebra. Yasser Arafat e Ehud Barak chegaram perto de fazê-lo em Camp David, quase oito anos atrás.

Além disso, um Estado palestino não apenas compreenderia a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, como também, presumivelmente, teria de acomodar os principais partidos políticos em cada uma das duas áreas. As tentativas de destruir o Hamas - seja política ou fisicamente - não funcionaram e não funcionarão. Os americanos e europeus cometeram um grande erro ao conspirarem para destruir o governo de unidade nacional Fatah-Hamas, criado em larga medida graças à diplomacia da Arábia Saudita e de outros países da Liga Árabe.

Espero que Blair esteja dizendo isso a seus amigos americanos. O maior êxito de Blair foi o acordo de paz na Irlanda do Norte. Esse triunfo histórico dependeu de trazer para as negociações os políticos do Sinn Fein - líderes do Movimento Irlandês Republicano -, que em muitos casos não poderiam ser distinguidos do IRA, que praticou atentados a bomba, fuzilou e aleijou civis em busca de seus objetivos políticos.

Por que deveria o que deu certo na Irlanda do Norte - na realidade, o que os EUA pressionaram o Reino Unido a fazer - ser impensável no Oriente Médio? Somos nós, no Ocidente, culpados de usar dois pesos e duas medidas, mais uma vez?

Eu abomino todo e qualquer ato terrorista, seja praticado pelo Hamas ou por quem for. Tive amigos mortos por terroristas. Mas desde quando sentimentos e denúncias morais passaram a ser ingredientes suficientes para formulação de políticas? E quando foi que reações militares desproporcionais ao terrorismo foram produtivas?

O terceiro desafio ao estabelecimento de um Estado palestino é criar as instituições características de um Estado: hospitais, portos, aeroportos, rodovias, tribunais, postos policiais, agência tributária e arquivos governamentais. Quando fui Comissário Europeu, encaminhamos recursos oriundos dos contribuintes europeus para cobrir os custos da montagem dessas instituições. Então vimos isso tudo sistematicamente arrasado pela reação israelense à segunda Intifada.

Em que medida a destruição das carteiras de motorista na Palestina preservaram a segurança israelense? O que se conseguiu de segurança destruindo caminhos usados por palestinos, erradicando oliveiras e contaminando poços?

Um Estado palestino necessitará ser construído de baixo para cima. E o que for construído não deveria ser destruído.

Desejo ver - e estou certo de que Blair também quer - um Estado palestino pacífico vizinho de um Estado de Israel seguro numa região unida em prosperidade e estabilidade. Talvez Blair tenha enxergado como isso pode ser obtido. Mas ele deve ponderar as implicações de tal abordagem em meio a suas reuniões em conselhos de administração, conferências e oportunidades para fotos.

Commentary / Asia

Keeping Turmoil at Bay in Pakistan’s Polarised Polity

Kicked out of office, former Prime Minister Imran Khan keeps denying his successor’s legitimacy. In this excerpt from the Watch List 2022 – Spring Update, Crisis Group urges the EU and its member states to help Pakistan's new government ward off violence, expand the social safety net and promote electoral reforms.

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